Bem estar, longevidade e saúde cognitiva.

Por Carol Martins

 Uma vida plena que contemple o bem estar e promova longevidade com qualidade é o que todos nós buscamos.

Para isso é essencial que tenhamos um olhar dedicado a prevenção e promoção da saúde. É consenso que uma alimentação saudável associada a exercícios físicos regulares promovem qualidade de vida e autonomia, mas o que a ciência vem investigando recentemente é o impacto da alimentação e do sedentarismo na parte cognitiva. A cognição é classificada como a capacidade de adquirir conhecimento por meio do pensamento e o seu comprometimento também está associado a perda de memória. Por isso é tão importante tanto para desenvolver atividades da vida adulta quanto para envelhecer com autonomia.
A obesidade tem sido associada à alterações no funcionamento cognitivo inclusive com risco de  demência em indivíduos com obesidade. Outro ponto importante é que a resistência a insulina no cérebro não só causará perda de memória, mas também contribuirá para o desenvolvimento de distúrbios comportamentais como depressão e ansiedade, doenças comprometedoras e que tiveram um aumento significativo nos últimos anos. No entanto, um estudo recente mostra que a prática regular de exercícios físicos pode produzir efeitos neuroprotetores capazes de evitar o desenvolvimento de neuroinflamacao, resistência cerebral a insulina e disfunção mitocondrial. Dessa forma, todos esses efeitos do exercício físico contribuirão para evitar o comprometimento das funções cognitivas e perda de memória na obesidade.
Com relação ao tipo de alimento consumido temos fortes evidências para evitar alimentos ultraprocessados. Além de estarem associados à um maior risco de doenças cardiovasculares, síndrome metabólica e obesidade estão tambem associados ao declínio cognitivo.
Um estudo recente publicado em dezembro de 2022 investigou o impacto do consumo de alimentos ultraprocessados em 10mil adultos entre 35 e 74 anos. Eles foram acompanhados por 9 anos e o resultado foi um declínio cognitivo significativo (+28%) em quem consumiu mais produtos industrializados.
Ou seja, a porcentagem de energia diária de alimentos ultraprocessados foi associada ao declínio cognitivo em participantes com menos de 60 anos, sugerindo a importância de intervenções preventivas em adultos de meia-idade.
Embora o estudo tenha sido feito com adultos, já podemos pensar no impacto no desenvolvimento cerebral, cognitivo, neurológico em crianças com uma alimentação rica em alimentos ultraprocessados. 
Essas importantes evidências só reforçam o quanto nós profissionais de educação física e de nutrição temos um papel importante como agentes de saúde, bem estar com um potencial transformador para melhora no estilo de vida dos nossos alunos e pacientes/clientes.

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